Dom Gílson Andrade em seu artigo semanal no Nova Iguassu Online: “O Papa Francisco entende ser necessário lançar um olhar especial sobre a Amazônia”

agosto 24, 2019 /

Em sua coluna semanal no Nova Iguassu Online, o bispo da Diocese de Nova Iguaçu, Dom Gílson Andrade, destaca a preocupação da Igreja Católica com as queimadas na Amazônia,

 

 

Eis a íntegra do artigo de Dom Gílson Andrade:

                     

Levantar a voz pela Amazônia

                    *Dom Gílson Andrade

 

Nos últimos dias, a Amazônia tem estado no foco das atenções e é notícia nos mais importantes veículos de comunicação do mundo. A Igreja também dá grande relevância também a essa região. O Papa Francisco entende ser necessário lançar um olhar especial, a partir da fé cristã, para esta porção significativa da América Latina. Por isso, convocou um Sínodo, reunindo bispos de todos os países amazônicos para refletir sobre os novos caminhos de evangelização para e com o povo de Deus que habita na região. A presidência da Conferência Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB) publicou uma nota sobre a urgência do momento presente na Amazônia, no dia 23 de agosto, que aproveito desse espaço para fazer eco. A seguir, o texto da nota:

“O povo brasileiro, seus representantes e servidores têm a maior responsabilidade na defesa e preservação de toda a região amazônica. O Brasil possui significativa extensão desse precioso território, com o rico tesouro de sua fauna, flora e recursos hidrominerais. Os absurdos incêndios e outras criminosas depredações requerem, agora, posicionamentos adequados e providências urgentes. O meio ambiente precisa ser tratado nos parâmetros da ecologia integral, em sintonia com o ensinamento do Papa Francisco, na sua Carta Encíclica Laudato Si’, sobre o cuidado com a casa comum.

“Levante a voz pela Amazônia” é um movimento, agora, indispensável, em contraposição aos entendimentos e escolhas equivocados. A gravidade da tragédia das queimadas, e outras situações irracionais e gananciosas, com impactos de grandes proporções, local e planetária, requerem que, construtivamente, sensibilizando e corrigindo rumos, se levante a voz.

É hora de falar, escolher e agir com equilíbrio e responsabilidade, para que todos assumam a nobre missão de proteger a Amazônia, respeitando o meio ambiente, os povos tradicionais, os indígenas, de quem somos irmãos. Sem assumir esse compromisso, todos sofrerão com perdas irreparáveis.

O Sínodo dos bispos sobre a Amazônia, em outubro próximo, em sintonia amorosa e profética com a convocação do Papa Francisco, no cumprimento da tarefa missionária e da evangelização, é sinal de esperança e fonte de indicações importantes no dever de preservar a vida, a partir do respeito ao meio ambiente.

“Levante a voz” para esclarecer, indicar e agir diferente, superar os descompassos vindos de uma prolongada e equivocada intervenção humana, em que predominam a “cultura do descarte” e a mentalidade extrativista. A Amazônia é uma região de rica biodiversidade, multiétnica, multicultural e multirreligiosa, espelho de toda a humanidade que, em defesa da vida, exige mudanças estruturais e pessoais de todos os seres humanos, Estados e da Igreja.

É urgente que os governos dos países amazônicos, especialmente o Brasil, adotem medidas sérias para salvar uma região determinante no equilíbrio ecológico do planeta – a Amazônia. Não é hora de desvarios e descalabros em juízos e falas. “Levante a voz” na voz profética do Papa Francisco ao pedir, a todos os que ocupam posições de responsabilidade no campo econômico, político e social: “Sejamos guardiões da criação”.

Vamos construir juntos uma nova ordem social e política, à luz dos valores do Evangelho de Jesus, para o bem da humanidade, da Panamazônia, da sociedade brasileira, particularmente dos pobres desta terra. É indispensável para promovermos e preservarmos a vida na Amazônia e em todos os outros lugares do Brasil. Em diálogos e entendimentos lúcidos, que se “levante a voz”!”

Assinam os bispos da presidência da CNBB.

 *D. Gilson Andrade da Silva, nasceu no Rio de Janeiro a 11 de setembro de 1966, criou-se em Mendes, no Sul Fluminense. Foi ordenado padre na Diocese de Petrópolis a 4 de agosto de 1991. Tem mestrado em Teologia pela Pontifícia Universidade da Santa Cruz (Roma). Nomeado bispo em 2011, foi bispo auxiliar de Salvador até 2018, quando foi transferido para Nova Iguaçu onde hoje é o bispo diocesano.

 

 

 

 

 

Paulo Cézar

PAULO CEZAR PEREIRA, também chamado de PC ou Paulinho da Baixada, aprendeu jornalismo nas redações de alguns principais veículos – rádios,jornais e revistas. Conheceu, como Repórter Especial do GLOBO, praticamente todos os estados brasileiros, as duas antigas Alemanhas antes da reunificação, Suiça, Austria, Portugal, França, Itália, Bélgica, Senegal, Venezuela, Panamá, Colômbia e a Costa Rica. É casado com Ana Maria e tem três filhas que já lhe deram cinco netos. Tem três paixões: a família, o jornalismo e o Flamengo. No passado, assessorou um governador, um senador, dois prefeitos e vários deputados. Comandou a área de Comunicação de Nova Iguaçu num total de 12 anos. Já produziu três livros : um para a Coleção Tiradentes, outro contando a evolução de Nova Iguaçu quando a cidade completou 170 anos, e o do jubileu de ouro da Diocese de Nova Iguaçu.