Diretor do Inpe diz que será exonerado: ” Minha fala gerou constrangimento”

agosto 2, 2019 /

Ricardo Osório Galvão, diretor do Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (Inpe), disse nesta sexta-feira (2) a jornalistas que será exonerado da função após ter declarado que o presidente Jair Bolsonaro se comporta como um “garoto de 14 anos” ao criticar o órgão.

“Minha fala sobre o presidente gerou constrangimento, então eu serei exonerado”, disse Galvão, segundo informações do G1. A exoneração ainda não foi confirmada pelo governo federal, a quem o Inpe é subordinado.

O diretor do Inpe também disse que se encontrou com o ministro da Ciência e Tecnologia, Marcos Pontes. “Frente ao ministro Pontes eu não tive que defender nada”, afirmou. “Ele concorda inteiramente com os dados do Inpe e sabe como são os dados do Inpe.”

        Histórico

        Galvão e o governo entraram em rota de colisão em 19 de julho, quando Bolsonaro disse, em conversa com jornalistas no Palácio do Planalto, que o Inpe mentia sobre dados do desmatamento da Amazônia, “a serviço de uma ONG”.

     “Ele tem um comportamento como se estivesse falando em botequim, uma conversa de botequim”, declarou Galvão, à época, em uma entrevista. “Ele diz que nenhum dos ministros de Ciência e Tecnologia anteriores ao seu governo faziam uma diferenciação entre gravidez e lei da gravidade. Isso é uma piada de um garoto de 14 anos que não cabe a um presidente da República fazer”, completou.

“   Eu acho, honestamente, que isso faz parte de um esquema que já estava sendo formado para me queimar”, disse Galvão na mesma entrevista, acrescentando: “eu não vou me demitir”.

     Nesta semana, Bolsonaro voltou a fazer críticas ao método utilizado pelo Inpe para medir o avanço do desmatamento na Amazônia. Segundo imagens de satélite obtidas pelo órgão, o número de áreas desmatadas da Amazônia cresceu 212% até 26 de julho, em relação ao mesmo mês do ano passado.

“Não quero afirmar, mas uma notícia como essa [crescimento do desmatamento na Amazônia], que não condiz com a verdade, tem um estrago muito grande na imagem do Brasil. Parece que tem gente interessada nisso, que não é a imprensa, porque o dado saiu lá de dentro [do Inpe], dos órgãos nossos”, declarou Bolsonaro.

Paulo Cézar

PAULO CEZAR PEREIRA, também chamado de PC ou Paulinho da Baixada, aprendeu jornalismo nas redações de alguns principais veículos – rádios,jornais e revistas. Conheceu, como Repórter Especial do GLOBO, praticamente todos os estados brasileiros, as duas antigas Alemanhas antes da reunificação, Suiça, Austria, Portugal, França, Itália, Bélgica, Senegal, Venezuela, Panamá, Colômbia e a Costa Rica. É casado com Ana Maria e tem três filhas que já lhe deram cinco netos. Tem três paixões: a família, o jornalismo e o Flamengo. No passado, assessorou um governador, um senador, dois prefeitos e vários deputados. Comandou a área de Comunicação de Nova Iguaçu num total de 12 anos. Já produziu três livros : um para a Coleção Tiradentes, outro contando a evolução de Nova Iguaçu quando a cidade completou 170 anos, e o do jubileu de ouro da Diocese de Nova Iguaçu.