Dez militares do Exército envolvidos em morte de músico são presos no Rio

abril 8, 2019 /

Dez militares foram presos em flagrante, na manhã de hoje, pelo assassinato do músico Evaldo Rosa dos Santos, na tarde de ontem, em Guadalupe, zona norte do Rio. O carro em que a vítima estava foi metralhado por militares. O Exército brasileiro assumiu as investigações sobre o caso.

Segundo a Polícia Civil, mais de 80 disparos foram realizados contra o veículo dirigido por Santos. Ele estava com a família a caminho de um chá de bebê quando foi abordado. O sogro dele, que estava no veículo, e um pedestre também ficaram feridos.

As primeiras informações divulgadas pelo Exército ainda ontem diziam que a tropa havia “reagido a uma agressão oriunda de criminosos a bordo de um veículo”. Segundo a família, a vítima não tinha qualquer envolvimento com o crime.

Em um comunicado divulgado hoje, o CML (Comando Militar do Leste) informou que “com base em informações iniciais transmitidas pela patrulha, foi emitida nota segundo a qual a tropa teria reagido a uma agressão oriunda de criminosos a bordo de um veículo”.

Evaldo Rosa dos Santos foi baleado por militaresImagem: Reprodução/Facebook

“Em virtude de inconsistências identificadas entre os fatos inicialmente reportados [pelo militares envolvidos na ação] e outras informações que chegaram posteriormente ao Comando Militar do Leste, foi determinado o afastamento imediato dos militares envolvidos, que foram encaminhados à Delegacia de Polícia Judiciária Militar para tomada de depoimentos individualizados”, continua a nota.

Doze militares já foram ouvidos

De acordo com o CML, 12 militares já foram ouvidos pela Delegacia de Polícia Judiciária Militar desde a madrugada de ontem, tendo sido dez presos. Um integrante do Ministério Público (MP) acompanhou os depoimentos.

A partir de agora, esses militares ficam à disposição da Justiça Militar, a quem cabe realizar a Audiência de Custódia e determinar como será dado prosseguimento.

Investigações ficarão com o Exército

As investigações sobre a morte e os feridos ficarão a cargo do próprio Exército, que assumiu as investigações do caso com base em uma lei de 2017 sancionada pelo então presidente Michel Temer (MDB).

A legislação diz que crimes dolosos contra a vida, cometidos por militares das Forças Armadas, serão investigados pela Justiça Militar da União, em alguns casos. Os laudos já feitos pela Polícia Civil do Rio serão fornecidos ao exército para o prosseguimento dos trabalhos.

“Foram diversos disparos de arma de fogo efetuados, e tudo indica que os militares confundiram o veículo com um veículo de bandidos. Mas neste veículo estava uma família. Não foi encontrada nenhuma arma [no carro]. Tudo que foi apurado era que realmente era uma família normal, de bem, que acabou sendo vítima dos militares”, afirmou na manhã de hoje o delegado Leonardo Salgado, da Delegacia de Homicídios da capital, que estava responsável pelo caso antes da transferência da investigação.

 

Paulo Cézar

PAULO CEZAR PEREIRA, também chamado de PC ou Paulinho da Baixada, aprendeu jornalismo nas redações de alguns principais veículos – rádios,jornais e revistas. Conheceu, como Repórter Especial do GLOBO, praticamente todos os estados brasileiros, as duas antigas Alemanhas antes da reunificação, Suiça, Austria, Portugal, França, Itália, Bélgica, Senegal, Venezuela, Panamá, Colômbia e a Costa Rica. É casado com Ana Maria e tem três filhas que já lhe deram cinco netos. Tem três paixões: a família, o jornalismo e o Flamengo. No passado, assessorou um governador, um senador, dois prefeitos e vários deputados. Comandou a área de Comunicação de Nova Iguaçu num total de 12 anos. Já produziu três livros : um para a Coleção Tiradentes, outro contando a evolução de Nova Iguaçu quando a cidade completou 170 anos, e o do jubileu de ouro da Diocese de Nova Iguaçu.