Witzel ataca PGR e Bolsonaro para se defender; Alerj volta a investigar o governador afastado

agosto 28, 2020 /

Na foto acima, o procurador Eduardo El Hage

 

*Paulo Cezar Pereira

 

O conteúdo do pronunciamento do governador afastado Wilson Witzel, do PSC,  feito agora há pouco no Palácio Laranjeiras, tem uma leitura política clara, tipo: agora, somos nós contra eles. Nós,  neste caso, são prefeitos e governadores que, segundo Witzel, são “vítimas”, tanto quanto ele, da Procuradoria Geral da República, que estaria tomando decisões compatíveis com os interesses políticos da família Bolsonaro. Witzel disse que a operação da Polícia Federal “é mais um circo que está se montando”.

As acusações do Ministério Público Federal contra Helena Witzel, mulher do governador, não seriam suficientes para envolver o governador no esquema de corrupção, alegam os aliados de Witzel. Ele  bateu duro na subprocuradora Lindora Araújo, responsável pelas denúncias ao STJ, a quem acusou de proximidade com o senador Flávio Bolsonaro, filho do presidente da República, com quem está rompido. O governador procurou se defender das acusações de corrupção se deslocando para a seara política, se defendendo com a explicação de que sua mulher advoga para empresas que tem interesses com o estado antes mesmo de sua posse no cargo no ano passado.

Para se defender, Witzel foi solidário com seu vice, Cláudio de Castro, e com o presidente da Assembléia Legislativa, André Ceciliano, dois dos 82 personagens da operação de busca e apreensão em sete estados desencadeada pela Polícia Federal. Witzel identificou as digitais políticas de Bolsonaro nesta e em outras decisões da PGR contra governadores adversários do presidente da República. Witzel chamou o delator Edmar Santos de “canalha e vagabundo”.

Witzel destacou sua política de combate ao crime organizado e criticou ações do STF “por não conhecer a realidade do Rio de Janeiro” na questão da segurança pública. Para informar, mais uma vez, que é honesto, começou o pronunciamento que os agentes federais “não encontraram um real” no Palácio Laranjeiras, sua residência oficial. ‘Há interesses poderosos contra mim, que querem destruir o estado’, completou o governador afastado. Witzel vai apresentar recursos ao STJ e ao STF contra as decisões do ministro Benedito Gonçalves que levaram ao seu afastamento por 180 dias.Por último, o governador afastado informou que vai continuar morando no Palácio Laranjeiras. “Não fui despejado”, afirmou.

Os procuradores da  Força Tarefa que investigou as denúncias ue levaram ao afastamento do governador (que reúne o MP federal e  a Polícia Federal), no entanto, informaram ter identificado quatro pagamentos de empresas de Mário Peixoto, que tem contratos com o governo estadual, ao escritório de advocacia da primeira dama Helena Witzel.  O MP federal defendeu Lindora Araújo e negou perseguição política, da qual o governador afastado  se disse vítima em seu pronunciamento. O procurador Eduardo El Hage lamentou que os últimos governadores do Rio tenham se envolvidos em corrupção. Ele estava se referindo a Sérgio Cabral, Luiz Fernando Pezão, Anthony Garotinho, Rosinha Garotinho e agora Wison Witzel.

Na denúncia encaminhada ao Superior Tribunal de Justiça (STJ), a Procuradoria Geral da República acusou o governador afastado do Rio, Wilson Witzel, de receber R$ 554 mil em propina em contratos da área da Saúde. O recebimento de parte destes valores teria contado com a participação da primeira-dama Helena Witzel.

 

Recurso de Witel será julgado na quarta-feira

A Corte Especial do STJ vai julgar na próxima quarta-feira (2/9) se mantém Wilson Witzel afastado do governo do Rio. Depois de recurso da defesa, o ministro Benedito Gonçalves, autor da decisão de afastamento, se comprometeu a levar o caso “em mesa”, sem necessidade de o presidente incluir em pauta.

Benedito afastou Witzel do carto por 180 dias por entender que ele, como chefe de uma organização criminosa que atua na área da saúde do Rio, vem interferindo nas investigações.

Witzel reclamou ao ministro da necessidade da medida, alegando que não tomou nenhuma medida que pudesse atrapalhar as apurações e que não teve acesso à decisão que o afastou.

 

Alexandre revoga decisão de Toffoli e Alerj volta a investigar Witzel

O ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal, revogou agora há pouco uma liminar de seu colega Dias Tofoli que suspendeu os trabalhos de investigação das denúncias que envolvem Wilson Witzel em denúncias de corrupção. Com a decisão de hoje, a Alerj vai continuar apurando supostos atos de corrupção  em contratos milionários e sem licitação na secretaria de saúde durante a pandemia. Faltam apenas três sessões para que a ALERJ termine as apurações e decida, em plenário, pela cassação ou não do mandato de Witzel.

 

*Paulo Cezar Pereira é Jornalista