Raquel e Boldrim, peças que se movimentam no xadrez eleitoral em Nova Iguaçu

agosto 7, 2020 /

*Paulo Cezar Pereira

 

Duas peças foram mexidas nos últimos dias no xadrez eleitoral das eleições deste ano em Nova Iguaçu. Candidato à reeleição, o prefeito Rogério Lisboa, do PP, movimentou uma pedra  com o poder que o cargo lhe permite: nomeou o presidente da executiva municipal do PSL, Hermeto Cavacante, secretário de segurança no município.  Com esse lance, parece ter escanteado a professora Raquel Stasiaky. Ela é suplente de deputada federal (obteve 8.452 votos dos quase 500 mil  disputados em Nova Iguaçu em 2018) que, ontem à noite,  ocupou as redes sociais para comunicar, através de um vídeo, que permanece candidata pelo PSL à Prefeitura, apesar de o principal dirigente de sua legenda agora trabalhar no governo de Lisboa.

O que existe de bolsonarismo em Nova Iguaçu também rachou ao meio com a saída de Jair Bolsonaro do PSL para o Aliança pelo Brasil. Como o TSE decidiu que o partido criado por Bolsonaro não cumpriu todas as exigências para disputar o pleito este ano,  um grupo acompanhou a orientação do senador Flávio Bolsonaro e se abrigou no Republicanos, o partido da Igreja Universal do Reino de Deus que tem a deputada federal Rosângela Gomes como candidata a prefeita pela segunda vez. A outra ala  está agora disputando cargos e ajuda para as eleições em reuniões com o burgomestre. Isolada, a aspira Raquel Stasiaky perdeu força neste jogo de profissionais.

 

Ernâni Boldrim, o amigo de todos

 

Quem também joga nos bastidores é o ex-prefeito Nelson Bornier. Desgastado desde que perdeu a disputa pela reeleição para Rogério Lisboa em 2016, Bornier participa do processo eleitoral tentando construir duas candidaturas: a do PSC  e a da Rede Sustentabilidade. Pelo PSC, seu candidato a prefeito é o advogado Wellington Guimarães, o Dr. Letinho, e pela Rede,  o empresário Ernâni Boldrim, ex-deputado estadual,federal e ex-secretário da Baixada.

O veterano e querido Boldrim é amigo de todo mundo, mas é mais conhecido atualmente pelas derrotas eleitorais do que pelas vitórias na história política de Nova Iguaçu. O nome dele é uma das peças do xadrez. Menos pela sua densidade eleitoral e mais pela exigência da direção nacional da Rede Sustentabilidade de ocupar espaços com candidaturas majoritárias em grandes cidades.

No mês passado, Boldrim insistia em esclarecer que não é candidato a prefeito este ano, agora espera para ver o que vai acontecer nos próximos 30 dias para finalmente se decidir. Na primeira vez que concorreu a prefeito,em 1988, perdeu para Aluísio Gama (PDT).

Não é apenas na campanha majoritária que o processo político ainda não se definiu totalmente em Nova Iguaçu. Apesar de pressionada por todos os partidos, a Câmara de Vereadores até agora não bateu o martelo no número de cadeiras que os candidatos ao legislativo disputarão nas eleições deste ano e ao que tudo indica, a decisão será judicial.  Com número maior de candidatos, Rogério Lisboa tem problemas para cortar a nominata de pré candidatos  e gostaria de alterar para cima o número de cadeiras em disputa.

 

*Paulo Cezar Pereira é Jornalista.