Giovanna, 12 anos, mora na Coréia, na Baixada Fluminense. Vestida de bailarina na viagem de trem, sonha ser Ana Botafogo

maio 31, 2019 /

Encontro quase diariamente personagens  do cotidiano da vida ao longo da viagem de trem ,que dura uma hora ,de Nova Iguaçu à Central do Brasil. É no ramal de Japeri, a qualquer hora do dia ou da noite, que pregadores da palavra de Deus, camelôs que vendem de tudo e artistas de toda a Baixada Fluminense fazem o tempo passar mais rápido enquanto o trem, lotado, sacoleja. Ouço histórias de vida, sou testemunha das discussões do jogo de futebol, do xingamento de alguns políticos e do sofrimento de quem acorda ainda de madrugada para trabalhar no Rio. Por isso, fiquei surpreso quando, na estação de Mesquita, aquela menina esguia, meia-calça,colant,  sapatilha e coque caprichado embarcou acompanhada da mãe. Puxei conversa logo com a menina que, tímida, falava baixinho, como se estivesse assustada com o meu interesse em ouvir sua história.

Eu estava diante de Giovanna Martins Marques, 12 anos, uma adolescente. Ela mora com a família no bairro da Coréia, região pobre e violenta da periferia de Mesquita. De segunda a sexta-feira, sempre levada pela mãe Angeline, ela viaja no trem quase parador para realizar o sonho de se transformar numa bailarina clássica e fazer sucesso mundo afora, como fazem Ana Botafogo e Cecília Kercher, referências de Giovanna do melhor balé do mundo, estrelas maiores do Theatro Municipal do Rio de Janeiro.

A nossa bailarina da Coréia, neta de um aposentado da Aeronáutica e de um servidor da Prefeitura do Rio, é aluna bolsista do Conservatório Brasileiro de Dança, na Tijuca. Seu talento surgiu aos 7 anos numa academia onde mora, mas foi numa apresentação dela no Teatro Raul Cortez, em Duque de Caxias, durante o encerramento das atividades de academias da Baixada, no ano passado, que ela chamou a atenção de um professor. Convidada para um teste no Conservatório de Dança, bastaram três aulas para que fosse aprovada. Além disso, ganhou uma bolsa integral para praticar balé clássico,contemporâneo, jazz e sapateado.

Dentro do trem, à noite, Giovanna com a mãe Angeline

Agora, Angeline, a mãe, torce para Giovanna conquistar os palcos do mundo enquanto fala das dificuldades da família para manter acordado o sonho da menina. E os custos são altos para a realidade financeira da família: só de transporte ( trem e metrô) são R$ 700,00 por mês. O collant para as apreentações e treinos de Giovanna, ela ganhou de uma colega da turma, e por falta dinheiro, lancha apenas biscoito e bebe água de uma garrafinha que leva de casa. A família dela está corrrendo atrás de um patrocínio para esta estudante do oitavo ano do Ensino Fundamental 2 da escola Bento Elias, em Mesquita. “Nós queremos que ela se descubra e que viva o sonho dela”, diz Angeline, arrematando: ” o biotipo do corpo dela é de bailarina clássica”. Quem estiver interessado em ajudar Giovanna, o contato da família é pelo e-mail angeline170185@gmail.com