Dom Gílson fala das virtudes de Santo Antônio para Catedral lotada de devotos do “Santo dos Pobres”

junho 13, 2019 /

Na primeira fila da Catedral lotada, estão prefeitos, deputados e vereadores das cidades que integram a Diocese de Nova Iguaçu. Do púlpito, Dom Gílson Andrade da Silva comenta neste momento a leitura do Evangelho de Lucas que pede “mais trabalhadores para a messe”.

 

O novo bispo de Nova Iguaçu fala do amor de Santo Antonio pelos pobres e faz uma homenagem à Irmã Dulce, que cuidou dos pobres na Bahia durante décadas. Evangélico, o prefeito de Nova Iguaçu, Rogério Lisboa , chegou à catedral de Santo Antônio de Jacutinga com 20 minutos de atraso, como aconteceu nas comemorações do padroeiro no ano passado. Detalhe: o prefeito mora distante 400 metros da catedral de Santo de Jacutinga. Também participam da missa festiva o prefeito de Japeri, Cezar Melo, e o deputado estadual Max Lemos, entre outros.

Max trabalha sua pré candidatura a prefeito por Nova Iguaçu. Não pelo MDB, mas pelo PDT. O advogado Wellington Guimarães, o Letinho, também marcou presença na igreja, mas saiu antes do início da missa. Letinho também quer ser prefeito de Nova Iguaçu., mas ainda não fez a opção paertidária. Ele agendou encontros com dirigentes do Partido Novo e tem bom trânsito dentro do PSDB.

O bispo Emérito Dom Luciano Bergamim, que deixou a Diocese em maio, é um dos mais festejados. No final da missa, à saída da Catdral, Max Lemos, animado, abraçava devotos de Santo Antônio. Max e Rogério foram os mais assediados para selfies pelos fiéis da Igreja Católica, durante e depois da misssa. Deposi da missa o prefeito de Nova Iguaçu participou do almoço de um almoço no espaço comun itário da Diocese.

 

 Dom Gílson: O santo de todo o mundo

Homilia na Festa de Santo Antônio – 13 de junho de 2019

Celebramos hoje a festa do “santo de todo o mundo”, como é conhecido o nosso amado Santo Antônio. Uma festa de grande tradição na nossa cidade de Nova Iguaçu, que teve o seu início, segundo os historiadores, em 1863, na Igreja de Santo Antônio de Jacutinga, atualmente Santo Antônio da Prata. Naquele ano, o 1º da festa, uma procissão em honra do Santo saindo da Igreja da Prata terminou aqui no lugar onde hoje temos a nossa Catedral, no antigo arraial de Maxambomba.

A continuidade nessa tradição aqui e no mundo inteiro, em pleno século XXI, nos leva a concluir que Santo Antônio é um homem que não perde a atualidade e que, portanto, pode ser proposto como modelo para os nossos dias, tão carente e necessitado de boas referências em todos os setores da vida humana.

Chama a atenção na vida de Antônio a sua intranquilidade. Passou a vida sempre em caminho, até mesmo fisicamente. Seria interessante fazer os cálculos de quanto ele andou. Essa caminhada é uma imagem de uma viagem que não cessa, a viagem que cada um deve empreender na sua própria vida. Ele aceitou o desafio de seguir um Deus que se coloca ao lado do homem, que vem ao seu encontro, no caminho muitas vezes acidentado da vida e que sempre pede dar mais um passo. Conhecemos, neste sentido a sua vida: entra no mosteiro dos cônegos regulares de Santo Agostinho e daí começa uma peregrinação fascinado pelo testemunho do martírio dos frades franciscanos mortos no Marrocos até a sua última caminhada quando já não podendo valer-se mais de suas pernas, pede que o levem de novo a Pádua e antes de lá chegar, aos 36 anos rende sua alma a Deus. Quis viver e morrer como testemunha do amor de Cristo pela humanidade e por isso não parou de caminhar, pois o que Deus pede a cada um de nós é simplesmente seguir e se lançar cem por cento no chamado recebido.

Um homem apaixonado por Deus. Uma paixão que se tornou também paixão pela vida de toda pessoa humana. Os milagres que realizou são sinal de um Deus que quer a vida dos seres humanos, por isso se realizaram no âmbito da família, da superação das injustiças e da restituição da dignidade e da vida para aqueles que sofriam. Não menos poderosa que os milagres era a força das suas Palavras que tocavam o coração de todo mundo: das crianças ao Papa. Não é por acaso que a sua relíquia mais importante seja a língua: uma capacidade extraordinária de comunicar que tornava mais bela a vida de quem o escutava. E dizia: “A palavra é viva quando são as obras que falam. Cessem, portanto, os discursos e falem as obras. Estamos saturados de palavras, mas vazios de obras.” Sua língua tocava as cordas sensíveis e vitais do coração, porque aceitou falar a língua de Deus: da misericórdia e do amor.

Não parava de caminhar porque era preciso pregar o Evangelho. Encontrou na pregação do Evangelho (e, por isso, recebeu o título de Doutor evangélico) e na caridade os remédios para os males de seu tempo. Palavra e Pão, não Pão e circo. Tão atual para nós essa mensagem!

Também o nosso tempo é marcado por inúmeras necessidades como aquele século XIII em que viveu Antônio marcado pela desorientação doutrinal e tanta miséria e violência.

Assim, hoje, amados irmãos e irmãs, o próprio povo de Deus, que é o lugar também do nosso encontro com Ele, abre os nossos olhos e nos indica o testemunho e a intercessão de Santo Antônio, como a dizer a nós pastores, mas também a todos: continuem a olhar o exemplo de Santo Antônio.

Sempre atento às necessidades de seu tempo, a resposta que ele oferecia é também a resposta que a Igreja tem que apostar: a oferta da nossa vida (a vivência da vocação) e o empenho missionário. Aqui está o seu segredo, aquele que o Evangelho de hoje nos revela. Aprendeu que o que enriquece a vida, em suas próprias Palavra: Dar a Cristo. “O que ajunta tesouros no céu é quem dá a Cristo e dá a Cristo quem dá aos Pobres”.

Por ter sido capaz de juntar céu e terra, entrou na alma do povo.

A Palavra que ouvimos hoje e o testemunho sempre atual de Antônio nos provocam a perguntar sobre a qualidade de nosso seguimento. As palavras de Jesus não deixam dúvida sobre um seguimento que deve estar no centro da vida e também no centro daquilo que se oferece: a paz. Quantos corações foram apaziguados pela vida de Antônio. De quanta paz necessitamos hoje.

Lembro, para finalizar, o testemunho de uma outra grande devota de Santo Antônio, a Beata e futura Santa Dulce dos Pobres, o Anjo bom da Bahia, que nos momentos de angústia, desespero ou até mesmo para solicitar a concretização de algum desejo invocava Santo Antônio, a quem chamava de “tesoureiro”. Que ele alcance hoje dos céus os tesouros que tornam mais rica e bela a nossa vida. Assim seja.