A nova Alerj , o futuro do Rio e o impeachment de Witzel

agosto 17, 2020 /

 

 *Paulo Cezar Pereira

 

Acompanho a atividade política há décadas, como um cidadão comum e com o olhar do repórter que analisa informações que mexem com a vida das pessoas e com o futuro do nosso país e particularmente do estado do Rio de Janeiro.

Faço da Assembleia Legislativa do Rio, desde os anos 70, meu principal posto de escuta, pela variedade de temas e pelas representações de opiniões diversas que somente a democracia é capaz de reunir no plenário do Palácio Tiradentes. Sim, é na Alerj que mais se discute o futuro do Rio e as saídas para mantê-lo respirando economicamente.

Confesso, anos depois de convivência profissional com presidentes da ALERJ desde o primeiro governo Chagas Freitas, que estou testemunhando o nascimento de um novo parlamento fluminense. Esta Alerj presidida pelo Deputado André Ceciliano , copiando a referência que os salgueirenses fazem de sua escola de samba, não é  pior e nem melhor, apenas é diferente. A Alerj de hoje é diferente, para melhor, como o Salgueiro sempre foi para os seus simpatizantes e componentes durante a folia.

No momento em que o estado mais precisa de seu parlamento como instrumento de fiscalização e de aconselhamento para o enfrentamento de tempestades e de mar agitado, a Assembleia não está se omitindo. E mais: enfrentou o desafio do novo normal e  foi o primeiro parlamento brasileiro a realizar sessões remotas depois da chegada da pandemia ao Rio.

 

Através de videoconferências, os 70 deputados estaduais aprovaram 80 leis que ajudam a população e o estado no enfrentamento do novo coronavírus. E mais: Em 2020, a Alerj fechará seu orçamento com uma economia de R$ 500 milhões, consequência da descentralização dos gastos. Desde o ano passado, cada deputado agora é o responsável administrativamente pelos gastos de seu gabinete. Esse dinheiro economizado está sendo usado no combate à Covid-19 através de parcerias com o governo estadual, prefeituras, Fundação Instituto Osvaldo Cruz ( Fiocruz) e  a Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ).

Além disso, a Alerj de Ceciliano colocou dinheiro numa parceria que permitiu ao governo estadual levar o programa Segurança Presente para praticamente todos os municípios da Região Metropolitana. Nos próximos dias será entregue publicamente por André Ceciliano um cheque da Alerj, no valor de R$ 20 milhões, para ajudar na reconstrução do Museu Histórico Nacional, na Quinta da Boa Vista, que pegou fogo no ano passado.

André Ceciliano, presidente da Alerj , economizou os recursos que agora ajudam a Fiocruz

 

A entrevista que o presidente da Alerj concedeu ao Jornal do Rio , da TV Bandeirantes, sábado último, é animadora. Ele fez uma síntese da pauta dos interesses da população diante de um cenário político preocupante para os dias atuais. O bom da entrevista de Ceciliano ao telejornal é o conteúdo do entrevistado . Ele tranquiliza os poderes e se fortalece cada vez mais como uma liderança capaz de conduzir o barco ao porto seguro.

André Ceciliano, que acompanha diariamente a arrecadação estadual, fala, na entrevista,  com segurança sobre o futuro da economia do estado do Rio de Janeiro. Ele tranquiliza os servidores estaduais com informações que garantem o pagamento em dia de salários e do décimo terceiro em 2020, desde que o Rio renove com o governo federal o Regime de Recuperação Fiscal – que vencerá no próximo dia 6 de setembro. Ceciliano defende a retomada econômica do estado através da reativação de estaleiros e de empresas petrolíferas e salienta que o estado tem que buscar alternativas aos recursos dos royalties do petróleo, para estabilizar seus recursos e depender menos da variação do preço do barril do petróleo no mercado internacional.

Ceciliano, que conquistou a presidência da Alerj sem que o governador tenha feito qualquer manifestação pública de apoio à sua candidatura, consegue manter o parlamento de pé no momento em que o candidato que o Rio elegeu há menos de dois anos para comandar o Palácio Guanabara está de joelhos.

O envolvimento de Wilson Witzel e de outros políticos e empresários inescrupulosos com o escândalo dos contratos emergenciais da secretaria estadual de saúde em plena pandemia, já começaram a ser revelados pelo ex-secretário Edmar Santos em sua delação premiada  homologada judicialmente.

 

Witzel, encurralado, quase jogado às cordas do ringue da corrupção, já veiculou um vídeo para afirmar que  não é “ladrão” e neste domingo voltou às redes sociais para garantir ao distinto público que Edmar vai ser condenado e que ele, governador, é inocente.

Firme, independente, o presidente da Alerj vai continuar com as reuniões da Comissão pluripartidária que apura as denúncias de corrupção na saúde pública. Ele aguarda apenas que a PGR se manifeste, ao longo desta semana, sobre as informações já encaminhadas pela Assembleia sobre os critérios da composição da Comissão que investiga o desvio do meu, do seu, do nosso dinheiro, durante a pandemia.

 

*Paulo Cezar Pereira é Jornalista