Os artistas de rua em Viena e os Super- heróis que divertem os passageiros dos trens da Supervia

julho 5, 2019 /

Nos anos 80, a convite da ONU, tive a oportunidade de cobrir para  O GLOBO um congresso mundial sobre envelhecimento na Austria. Acompanhado de Alfredo Gonzales Palominos, repórter do  La Tercera Hora,  o principal jornal de Santiago do Chile, tive o privilégio de passar 10 dias em Viena, uma cidade lindíssima,  acolhedora e economicamente poderosa.   Com Palominos dividi algumas botijas e tomei champanhe de paletó e gravata no tradicional Raz, point da noite de Viena naquelas noites de verão europeu.

 

Na Praça de São Estevão e nas esquinas do centro de Viena, ouvia-se música de bandas ou simplesmente de grupos de artistas de vários países, de todos os continentes. E ao final de cada apresentação, turistas do mundo inteiro e moradores daquela cidade aplaudiam os cantores e colocavam moedas em caixinhas ou dentro de um chapéu que era passado de mão em mão pelos que ouviam os sons apresentados pelos artistas de rua.

 

Recordo os sons da Viena dos compositores  Franz Schubert , Johann Straus e de  Wolfgang Amadeus Mozart para lamentar a decisão do Tribunal de Justiça do Rio de anular uma lei estadual , de autoria do deputado André Ceciliano, que permite aos artistas de rua se apresentarem nos trens,barcas e no metrô. A Assembléia Legislativa, nunca é demais destacar,  recorreu da decisão judicial em defesa da livre manifestação cultural em espaços públicos.

Enquanto a Alerj e o TJ se enfrentam, os artistas permanecem fazendo espetáculos nos trens, no metrô e nas barcas. Muitos deles, como Davi Bboy Zeus, 24, Thiago Reis, 32,  Lucas Rafael, 26, e Ruan Luiz, todos desempregados, viraram Super- heróis do mundo infantil para driblar a crise.  Ganham menos de um salário mínimo por mês nesta nova profissão que escolheram para sobreviver. Moradores de Nova Iguaçu e de Nilópolis, eles criaram o Grupo Cotffantasy ( tripulação da fantasia) em 2017 e ganham a vida diariamente nos trens da Supervia  e nas festas infantis. Nos  trens, eles estão sempre no ramal de Japeri, alegrando e divertindo a maioria dos passageiros durante a viagem  de 1h30m até à Central do Brasil.

Com a finalidade de mostrar que até  heróis usam transportes públicos, eles fazem espetáculos nos trens com uma bicicleta, isso aos domingos, dia em que a Supervia permite. Os heróis da Baixada Fluminense estão noivo,separado, solteiro e enrolado. Ruan é um dos criadores do grupo, ajuda a bolar as coreografias. Thiago é o Spirdeman ( Homem Aranha), David Mello o Dead Pool, Rafael o Pantera Negra e Ruan o Homem Borboleta.

–  Nosso objetivo é crescer e vencer na vida. Trabalhamos nos trens, metrô, barcas, escolas e na  animação de festas com vários públicos. Oferecemos aulas de dança, alongamento em geral e palestras sobre o bullyng e cut , pessoas que se mutilam – diz Ruan, acrescentando que a apresentação de um figurino (personagem) fica em média de R$ 200,00 a R$ 250,00. Telefone para contato: (21) 97948-0274.