Câmara do Rio vai aprovar hoje relatório absolvendo Crivella

junho 25, 2019 /

O prefeito do Rio , Marcelo Crivella , deve ter entre 23 e 26 votos na sessão marcada para a tarde desta terça-feira na Câmara de Vereadores do Rio que decidirá se ele permanecerá no cargo . O quórum é suficiente para que Crivella continue no comando da cidade — ele só será afastado se 34 dos 51 vereadores se manifestarem a favor do impeachment . 

Até o jornal O GLOBO, de linha editorial hostil a Crivella, reconhece que o cenário joga a favor do prefeito, informa o blog Agenda do Poder. O perfil dos vereadores, especula o jornal, favorece o arquivamento da proposta. “Mesmo que não tenham êxito em indicar aliados para postos estratégicos em subprefeituras e administrações regionais, seus mandatos estão atrelados a conseguir atender às demandas de eleitores por serviços, como poda de árvores, troca de lâmpadas apagadas e asfaltamento de ruas”, afirma o jornal. Nas últimas semanas, Crivella se reaproximou desse grupo, que tem entre outros nomes, o presidente da Casa, Jorge Felippe (MDB). Após a Câmara do Rio aprovar a abertura do processo de impeachment, no dia 3 de abril, diretores de órgãos públicos voltaram a atender a esses políticos.

Na sessão desta terça-feira, a expectativa é que até dez vereadores podem faltar, seja por acreditarem que a lua de mel com o prefeito é temporária ou preocupados com o desgaste. Contudo, o gesto de não aparecer será interpretado como positivo por Crivella, já que as ausências reduzirão o quórum da oposição.

— O governo não está bem. Se a crise financeira se agravar, havendo pressão dos eleitores, o prefeito pode vir a ser alvo de um novo pedido de afastamento. — avaliou um vereador com base eleitoral na Zona Norte que votou pela abertura do processo de impeachment e até segunda-feira não sabia se apareceria no plenário.

Outro motivo para a falta de consenso em afastar o prefeito passa por incertezas políticas. Como Crivella não tem vice (Fernando Mac Dowell morreu em 2018), pela Lei Orgânica do Município, haveria necessidade de uma nova eleição direta caso o prefeito seja afastado até o fim do terceiro ano de mandato. Mas os vereadores só conseguiram 33 de 34 votos para alterar as regras. O baixo clero temia que em caso dos eleitores fossem de novo às urnas este ano, houvesse uma polarização entre um nome apoiado pelo presidente Jair Bolsonaro e o deputado Marcelo Freixo (PSOL). Em 2020, as regras preveem que as eleições sejam indiretas para complemento de mandato.

Mas mesmo entre antigos apoiadores da ideia de afastar o prefeito tem dúvidas se atualmente esta seria a melhor solução:

— Quem assumisse teria pouco tempo para desenvolver seus projetos. Se a situação da prefeitura realmente piorasse, quem fosse o escolhido poderia estar até mesmo cometendo suicídio político, por causa do desgaste que enfrentaria para ficar um ano no cargo — diz um vereador que circula entre políticos governistas e da oposição.

Paulo Cézar

PAULO CEZAR PEREIRA, também chamado de PC ou Paulinho da Baixada, aprendeu jornalismo nas redações de alguns principais veículos – rádios,jornais e revistas. Conheceu, como Repórter Especial do GLOBO, praticamente todos os estados brasileiros, as duas antigas Alemanhas antes da reunificação, Suiça, Austria, Portugal, França, Itália, Bélgica, Senegal, Venezuela, Panamá, Colômbia e a Costa Rica. É casado com Ana Maria e tem três filhas que já lhe deram cinco netos. Tem três paixões: a família, o jornalismo e o Flamengo. No passado, assessorou um governador, um senador, dois prefeitos e vários deputados. Comandou a área de Comunicação de Nova Iguaçu num total de 12 anos. Já produziu três livros : um para a Coleção Tiradentes, outro contando a evolução de Nova Iguaçu quando a cidade completou 170 anos, e o do jubileu de ouro da Diocese de Nova Iguaçu.