Cabral vira réu em ação envolvendo obras da linha 4 do metrô

abril 3, 2019 /

O ex-governador do Rio de Janeiro, Sergio Cabral (MDB), condenado a 198 anos e 6 meses de prisão, virou réu em mais uma ação por improbidade administrativa. Agora, a denúncia é a respeito das obras da Linha 4 do metrô – o empreendimento mais caro dos Jogos Olímpicos de 2016, que custou quase R$ 10 bilhões. Cabral vai responder por improbidade administrativa junto a outros 22 réus, incluindo 15 empresas.

A denúncia tem 140 páginas, sendo que as três primeiras falam do superfaturamento e sobrepreço das obras. Na última segunda-feira (1), a ação foi julgada a respeito de caixa 2 e assinatura de aditivo de obra. Desta vez, é relacionada a subcontratação.

Segundo os promotores, as obras da Linha 4, que liga as zonas Sul e Oeste da cidade, não foram executadas pela concessionária Rio Barra S/A, vencedora da licitação, ou seja subcontratou as obras com dois consórcios construtores. E, valendo-se do mesmo modus operandi (modo de operação), subcontratou também a operação do serviço concedido.

O documento mostra ainda que a empresa não realizou nenhum dos investimentos iniciais previstos para as obras e, mesmo assim, lucrou pela operação do serviço.

O ‘arrecadador de propinas’ e recursos na campanha de Pezão

De acordo com a ação civil pública do Ministério Público do Rio, o ex-governador Sérgio Cabral (MDB) é acusado de atuar como ‘arrecadador de propinas’ e de recursos para abastecer a campanha de Luiz Fernando Pezão, em 2014. O documento ingressou na Justiça nesta terça (2), contra os dois e outros envolvidos no esquema.

Na ação, as propinas supostamente pagas a Pezão surgiram a partir de autorização do 4.º aditivo das obras do Metrô.O aditivo contratual de número 4 acarretou cerca de R$ 852 milhões a mais ao valor do contrato. Após o acordo firmado, em 2015, custo total das obras foi elevado a R$ 9,64 bilhões.

De acordo com as investigações, Cabral fazia uma espécie de ‘transição de poder’, apresentando Pezão e ‘informando que os esquemas de pagamentos de propinas seriam a partir de abril de 2014 e seriam realizados diretamente com o novo Governador do Estado do Rio de Janeiro’ – Cabral renunciou ao cargo de governador em 2 de abril daquele ano.

A promotoria afirma que os pagamentos de caixa 2 podiam ser pagos ‘com entrega em dinheiro em território nacional ou ainda no exterior por meio de transações por empresas offshore’.

Segundo o delator, Benedicto Barbosa da Silva Júnior, o ‘BJ’ – executivo da Odebrecht, no primeiro trimestre de 2014, em reunião no Palácio Guanabara, sede do Governo do Rio, o então governador Sergio Cabral solicitou a ele doações para a campanha de seu candidato, Luiz Fernando Pezão.

“A eleição de Luiz Fernando Pezão representaria a continuidade do projeto do governador Sérgio Cabral para o Estado do Rio, com a sequência de projetos de infraestrutura que interessavam à Construtora Norberto Odebrecht”, disse Benedicto.

Ainda de acordo com BJ, o atendimento aos pedidos de Cabral “visava manter a boa relação conquistada pela Construtora na sua gestão, durante a qual a Odebrecht havia conquistado projetos relevantes, e, dessa forma, evitar embaraços aos projetos existentes e interrupções ou atrasos no fluxo regular de pagamento dos contratos conquistados”.

Aloma Carvalho