Cabral confirma denúncia do Le Monde ao afirmar ao juiz Bretas que comprou votos para que o Rio sediasse os Jogos Olímpicos de 2016

julho 4, 2019 /

Em depoimento ao juiz Marcelo Bretas, da 7ª Vara Federal Criminal do Rio, o ex-governador Sérgio Cabral afirmou que comprou votos de delegados do Comitê Olímpico Internacional em 2009 a fim de garantir que o Rio fosse sede dos Jogos Olímpicos de 2016. A informação acaba de ser veiculada na edição online do Globo. O caso foi revelado pelo jornal francês Le Monde em março de 2017.

O ex-governador disse que o ex-presidente do Comitê Olímpico do Brasil, Carlos Arthur Nuzman, indicou a intermediação do presidente da Federação Internacional de Atletismo, o senegalês Lamine Diack, para que o esquema prosperasse. O ex-diretor do Rio-2016, Leonardo Gryner, que também é acusado, estava presente na conversa, segundo o ex-governador.

“O Nuzman me disse: o presidente da Federação Internacional de Atletismo, Lamine Diack, se abre para vantagens indevidas”, disse Cabral ao juiz Bretas.

No depoimento, iniciado às 14h30 desta quinta, Cabral afirmou que o ex-nadador russo Aleksandr Popov foi um dos que receberam propina para votar na candidatura do Rio, que disputava o direito aos Jogos de 2016 com Madri, Chicago e Tóquio.

Cabral também afirmou que o ex-prefeito Eduardo Paes e o ex-presidente Luís Inácio Lula da Silva tinham conhecimento da compra de votos. Cabral, no entanto, disse que ambos não participaram da negociação.

De acordo com a denúncia do Ministério Público Federal, Cabral, Nuzman e Gryner solicitaram diretamente ao empresário Arthur Soares Filho, dono de empresas que prestavam serviços terceirizados ao governo do estado e à prefeitura do Rio, o pagamento de US$ 2 milhões a Papa Diack, filho de Lamine. Os quatro brasileiros foram denunciados por corrupção.

Outro lado

Ouvido pelo Globo, o advogado de Carlos Arthur Nuzman, Nélio Machado, negou todas as acusações de Cabral.

Em contato com a reportagem, o ex-prefeito Eduardo Paes nega ter participado de compra de votos e de ter sido informado antes ou depois da eleição do COI.

— Como ele disse, não participei de compra de voto nenhuma e também não fui informado disso.  Essas conversas eu nem tenho.  Tanto é assim que, pelo que conta o ex-governador, o Sr. Nuzman procurou somente ele para tratar desse tema. Não teria coragem para tratar comigo.

 

Paulo Cézar

PAULO CEZAR PEREIRA, também chamado de PC ou Paulinho da Baixada, aprendeu jornalismo nas redações de alguns principais veículos – rádios,jornais e revistas. Conheceu, como Repórter Especial do GLOBO, praticamente todos os estados brasileiros, as duas antigas Alemanhas antes da reunificação, Suiça, Austria, Portugal, França, Itália, Bélgica, Senegal, Venezuela, Panamá, Colômbia e a Costa Rica. É casado com Ana Maria e tem três filhas que já lhe deram cinco netos. Tem três paixões: a família, o jornalismo e o Flamengo. No passado, assessorou um governador, um senador, dois prefeitos e vários deputados. Comandou a área de Comunicação de Nova Iguaçu num total de 12 anos. Já produziu três livros : um para a Coleção Tiradentes, outro contando a evolução de Nova Iguaçu quando a cidade completou 170 anos, e o do jubileu de ouro da Diocese de Nova Iguaçu.