Audiência pública na Alerj discute medidas para baixar custo e melhorar qualidade na prestação do serviço de energia elétrica no Rio

abril 16, 2019 /

Comissão de Minas e Energia ouviu representantes das empresas ENEL e Energisa e cobrou mais investimentos no setor que sofre com frequentes furtos e a alta carga tributária

Apesar de produzir cerca de 12% da geração da energia elétrica do Brasil, o estado do Rio de Janeiro possui a tarifa mais alta de todo o território nacional. Foi o que apontou estudo apresentado pela  Empresa de Pesquisa Energética (EPE),  durante audiência pública realizada, nesta terça-feira (16), pela Comissão de Minas e Energia da Assembleia Legislativa do Estado do Rio de Janeiro. A alta carga tributária, atrelada ao grande número de furtos de energia estão entre as causas principais para este cenário.

Os serviços prestados pelas concessionárias ENEL, que atende 66 municípios e cerca de 3 milhões de clientes e pela Energisa, responsável pelo fornecimento em Nova Friburgo e Sumidouro, totalizando 108 mil moradores, também foram abordados na audiência. As críticas se concentraram na ENEL. Os deputados questionaram a qualidade do serviço prestado pela empresa, entre eles: a demora no primeiro atendimento, falhas no sistema operacional e o atraso constante no restabelecimento do sistema de fornecimento de energia.

Como resposta aos parlamentares, a empresa anunciou o seu novo plano industrial, que prevê investimentos na ordem de R$ 3,5 bilhões até 2023 e inclui a reforma de redes, ações de telecontrole e equipamentos de proteção de ramais. Já a Energisa, anunciou investimentos na ordem dos R$ 11 milhões, que serão aplicados ao longo ainda deste ano em linhas  de distribuição.

A audiência apontou ainda que alguns fatores contribuem para a elevação do custo na composição final da tarifa, entre eles destacam-se a tributação e as perdas não técnicas. Enquanto todo o Sudeste tem uma perda média de 12,7%, o Rio desperdiça pouco mais de 21%, quase o dobro. O impedimento de acesso das equipes das concessionárias em áreas de extrema violência e dominadas pelo poder paralelo seria a principal causa do problema.

Dos 12% da energia produzida no estado do Rio de Janeiro, apenas 8% é consumida em terras fluminenses. “Não podemos ser autossuficientes e ter a tarifa mais cara do país. É preciso  baixar o custo da energia para que possamos ser mais competitivos. Isso pode se dá através de energias alternativas, o poder público garantindo a segurança e, principalmente, diminuindo a carga tributária. Ao mesmo tempo, temos que proteger e defender os interesses do consumidor. As reclamações em relação à ENEL são absurdas. Só no Tribunal de Justiça, são mais de 100 mil processos tramitando contra a empresa”, afirmou o presidente da Comissão, deputado Max Lemos (MDB).

No próximo dia 30 de abril, a Comissão de Minas e Energia fará uma nova audiência pública na Alerj. Desta vez, para ouvir a LIGHT, responsável pelo fornecimento de energia em 31 municípios do estado.

 

fotos de Otacílio Barbosa

Paulo Cézar

PAULO CEZAR PEREIRA, também chamado de PC ou Paulinho da Baixada, aprendeu jornalismo nas redações de alguns principais veículos – rádios,jornais e revistas. Conheceu, como Repórter Especial do GLOBO, praticamente todos os estados brasileiros, as duas antigas Alemanhas antes da reunificação, Suiça, Austria, Portugal, França, Itália, Bélgica, Senegal, Venezuela, Panamá, Colômbia e a Costa Rica. É casado com Ana Maria e tem três filhas que já lhe deram cinco netos. Tem três paixões: a família, o jornalismo e o Flamengo. No passado, assessorou um governador, um senador, dois prefeitos e vários deputados. Comandou a área de Comunicação de Nova Iguaçu num total de 12 anos. Já produziu três livros : um para a Coleção Tiradentes, outro contando a evolução de Nova Iguaçu quando a cidade completou 170 anos, e o do jubileu de ouro da Diocese de Nova Iguaçu.