Artista iguaçuano Leandro Miranda denuncia apropriação de sua criação em artigo

junho 1, 2019 /

 

Em artigo parao Nova Iguassu Online o artista iguaçuano Leandro Miranda denuncia a apropriação de alguns projetos  que criou para contar a história de seu município, entre eles o “Bosque Municipal de Nova Iguaçu” e o ” Viagem Pitoresca à Vila de Iguassú do Século XIX”. Leia, na íntegra, as queixas de Leandro.

 

Nova Iguaçu e a velha política do “Conto do Vigário”

Por Leandro Miranda

A difícil relação entre a criação e seus espelhos, ou clones, parece remontar a história de Jesus Cristo e seus crucificadores. Quando Jesus dizia que: “Eu e o Paisomos um…” seus adversários pegavam pedras para o apedrejar. Da mesma forma se dá com quem se presta a trabalhar com criação, logo os algozes se levantam com oobjetivo de trucidar quem criou para querer se apropriar da criação.Muito fácil estar nos gabinetes, no ar refrigerado, com as pernas em cima damesa, esperando algum idiota aparecer com uma ideia genial para tirar proveito dissoe se dar bem as custas dos outros. Me faz lembrar as histórias de desenho animado,quando o Zeca Urubu queria tirar proveito do Pica-pau. Sim, a realidade é que a arteimita a vida e não tem sido diferente comigo, diante de tantos projetos que tenhoapresentado para o nosso crescimento e desenvolvimento artístico/cultural. Sempreaparece um Zeca Urubu disfarçado de “bon vivant” para querer armar o seu circo, acreditando, ou tentando fazer acreditar, que está se dando bem as custas do Pica-pau. A triste realidade para esses é que os confetes e as serpentinas só duram quatrodias do ano e na quarta-feira de cinzas a fantasia acaba. O que sustenta o carnaval é otrabalho duro do resto do ano, portanto é o trabalho duro que vale diante dasmáscaras que parecem lindas, mas que só disfarçam uma realidade, ou tenta escondê-la.Tenho trabalhado duramente como um operário da arte e da cultura por anos a fio e sempre me deparo com quem quer tirar proveito disso, achando que estão lhedando com um dos palhaços de seus circos. A questão é que ganho meu tempopensando naquilo que meu trabalho precisa para ser realizado da melhor maneira e isso é que tem me valido a pena, muitas vezes a duras penas. Essa tem sido a lei da minha vida, onde não carrego a culpa de ter usurpado alguém, com a consciência tranquila e sabendo que cabe ao artista a criação na arte, como cabe ao editor delivros fazer livros e assim por diante. Cabe a um profissional sério exercer suaseriedade e cabe a um profissional medíocre exercer sua mediocridade.Durante quase vinte anos venho pesquisando a história de Nova Iguaçu, sua cultura e como ela poderia ser uma inspiração para a arte e, com isso, encontrar uma identidade cultural que me identifique, que me defina e me coloque diante do mundocom uma personalidade. Dentro desse objetivo, diversos projetos têm sido pensados e propostos, no sentido de colocar para todos tais questionamentos e seus resultadospráticos em forma de trabalhos de arte, projetos culturais e exposições. Cujos resultados tem se refletido em propostas no teatro, nas artes plásticas, na dança, naescrita, na arquitetura e design, sempre com o foco na identidade cultural iguaçuana,consequentemente na afirmação da identidade cultural da Baixada Fluminense. Uma dessas propostas foi, e tem sido, a recriação e revitalização de Iguassú Velho, através do projeto “Bosque Municipal de Nova Iguaçu”, que foi apresentado ao ex-prefeito Lindberg Farias e que já esteve em exposição em alguns eventos na cidade,
todo inspirado na história de nosso município e que revela uma praça temática cujo tema é Iguassú Velho. Um outro projeto chamado “Viagem Pitoresca à Vila de Iguassú no Século XIX”, que propõe a recriação artística da Vila de Iguassú a partir de pesquisas, sendo posta uma exposição de arte no próprio local onde ela existia, para que o público possa ver como era, ou poderia ter sido a Vila de Iguassú, depois trazer a mesma exposição para o centro da cidade, fazer circular por toda a Baixada Fluminense e centro histórico do Rio. Assim como os presépios que tenho feito para a Catedral de Santo Antônio quatro anos, cujo tema tem sido a valorização da história de Nova Iguaçu através da recriação da Vila de Iguassú, dentro de um contexto religioso, já que a igreja caminhava junto com o estado no período colonial do Brasil. O que unindo tais propostas, de maneira muito clara e óbvia, fala de um parque ligado a Iguassú Velho e sua revitalização, ou recriação.Não sei bem o que pensam os algozes da arte e da criação, talvez não conheçam o que são os direitos autorais e o que ele representa. Independente do documento em si emitido pelo Escritório de Direitos Autorais da Biblioteca Nacional, o direito de autoria pertence ao idealizador/criador, segundo informações de um técnico de direitos autorais da Biblioteca Nacional. Portanto, todo trabalho criado pertence ao seu criador por direito de autoria e ir contra isso significa estar fora da lei, além de demonstrar uma tremenda falta de educação, de cultura jurídica e moral. Portanto, os Zecas Urubus de plantão, deveriam recolher suas vontades de cair em cima do que elesacham que são suas carniças e se colocar em seus lugares. É muito chato acordar no meio da noite com um zé pilantra qualquer, ou uma pomba gira, ou um bará do inferno me incomodando, querendo vir roubar o que não lhes pertence para ser incorporado por um outro qualquer. Que se acha no direito de querer ser o dono da situação, só porque ocupa determinado posto ou cargo e acha, que por isso, podeusurpar o direito de outro e até seus bens espirituais. Conheço perfeitamente bem a cultura de meu país e sua diversidade, aliás, me considero um especialista nisso, e só a conheço porque faz parte de minha carreira artística/cultural, conhecer a fundo a cultura de meu país para saber qual a melhor forma de lhe dar com ela. E o que mais tenho aprendido é a lição do filme “O Diabo Veste Prada”, onde se tem muita sede de poder, que tudo parece chique demais, com muito salto alto e tapete vermelho, é onde prefiro andar descalço e pisar a poeira do chão, que me parece mais seguro e menos sujo. E isso é uma opção.

O produtor cultural Leandro Machado e o preséipio, sua última criação.

Paulo Cézar

PAULO CEZAR PEREIRA, também chamado de PC ou Paulinho da Baixada, aprendeu jornalismo nas redações de alguns principais veículos – rádios,jornais e revistas. Conheceu, como Repórter Especial do GLOBO, praticamente todos os estados brasileiros, as duas antigas Alemanhas antes da reunificação, Suiça, Austria, Portugal, França, Itália, Bélgica, Senegal, Venezuela, Panamá, Colômbia e a Costa Rica. É casado com Ana Maria e tem três filhas que já lhe deram cinco netos. Tem três paixões: a família, o jornalismo e o Flamengo. No passado, assessorou um governador, um senador, dois prefeitos e vários deputados. Comandou a área de Comunicação de Nova Iguaçu num total de 12 anos. Já produziu três livros : um para a Coleção Tiradentes, outro contando a evolução de Nova Iguaçu quando a cidade completou 170 anos, e o do jubileu de ouro da Diocese de Nova Iguaçu.