43 municípios do Rio não têm mamógrafos

maio 24, 2019 /

Durante a audiência da Comissão de Saúde da Assembleia Legislativa do Rio de Janeiro (Alerj), realizada nesta quinta-feira (23), referente a falta de mamógrafos, foi constatado que, atualmente, 43 municípios não dispõem do aparelho. De acordo com o Conselho Estadual de Saúde, as mulheres levam de cinco a seis meses para realização do exame e estão morrendo vítimas da doença por falta de planejamento adequado – o Hospital Mario Kroeff, na Penha, registra 100 novos casos da doença por mês.

Os dados apresentados apontam que, em todo o estado do Rio de Janeiro, existem 654 aparelhos nas redes privada e pública, sendo 188 disponibilizados pelo Sistema Único de Saúde (SUS). Desse total, apenas 42 estão na rede pública municipal. Além disso, muitos aparelhos encontram-se quebrados ou faltam operadores e médicos para assinarem os laudos.

De acordo com a deputada Lucinha (PSDB), que solicitou a audiência, a mamografia é fundamental para o diagnóstico e tratamento da doença. “A maioria da população não consegue fazer o exame e já chega no Instituto Nacional do Câncer (Inca) em estágio avançado. Com a demora, as mulheres acabam morrendo. No Rio, as regiões que mais sofrem com a falta de mamógrafos é a Zona Oeste, na capital, e a Baixada Fluminense, na Região Metropolitana”, afirmou.

Segundo a representante da Secretaria Municipal de Saúde, Girlana Marano, não faltam vagas para o agendamento do exame na capital. “A Prefeitura do Rio oferece hoje cerca de 12 mil vagas/mês. O que falta é a informação à mulher de que as vagas estão disponíveis”, afirmou.

Demanda reprimida

A subsecretária estadual de Saúde, Mariana Scardua, relatou que os mamógrafos operam com 1/3 do seu potencial e que o problema está na distribuição dos aparelhos. O estado disponibiliza 200 aparelhos pelo SUS. “Cada mamógrafo tem capacidade para realizar mais de 900 mil exames por ano, mas atualmente apenas 266 mil são realizados”, afirmou.

De acordo com a Mariana, a maior deficiência para realização do exame é localizada na cidade do Rio e na Baixada. A atenção primária da saúde deve identificar este paciente para realização do exame “É importante não pensar apenas no aparelho, mas também na forma de distribuição dos equipamentos nos municípios, o aproveitamento e o acesso ao exame”, acrescentou.

Para a deputada Mônica Francisco (Psol) o problema do câncer de mama é apresentar um quadro dramático na regulação de vagas no estado. Segundo a parlamentar, o tema afeta uma população que vive em condições precárias .“Mulheres morrem ou são mutiladas pela doença. Há um impacto na vida da família . Mais de 56 % dos lares hoje são chefiados por mulheres”, afirmou.

A presidente da Comissão da Saúde, deputada Martha Rocha (PSDB), concluiu a audiência informando que há uma ausência de mamógrafos que inviabilizam hoje o atendimento da mulher no estado. “Há uma demanda reprimida de 900 mil exames que poderiam ser realizados anualmente. É preciso repensar o fluxo de problemas e fortalecer a informação para a mulher”, afirmou a parlamentar.

Aloma Carvalho